Fundação Baiana de Pesquisa Científica e Desenvolvimento Tecnológico, Fornecimento e Distribuição de Medicamentos

Bahiafarma desenvolve primeiro teste rápido do Zika Vírus no Brasil

31 de maio de 2016
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Dispositivo torna mais rápido o diagnóstico da doença, facilitando o mapeamento dos casos e ações de prevenção

A Bahia deu um passo importante para o enfrentamento, no Brasil, ao Zika Vírus, doença transmitida pela picada do mosquito Aedes aegypt. Por meio da Fundação Bahiafarma, órgão vinculado à Secretaria da Saúde (Sesab), o estado foi o primeiro a criar um teste sorológico rápido de identificação da doença, chancelado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A tecnologia, que poderá ser produzida e comercializada em todo o País, vai acelerar a conclusão do diagnóstico, que atualmente leva meses para ser obtida. A informação foi divulgada à imprensa pelo secretário Fábio Vilas-Boas, em entrevista coletiva na manhã desta terça-feira (31), no Laboratório Central de Saúde Pública Professor Gonçalo Moniz (Lacen-BA), no bairro de Brotas, em Salvador.

Até então, o diagnóstico da infecção pelo Zika vírus vinha sendo feito apenas por meio da detecção da presença do vírus em si, pela técnica laboratorial de PCR. Além de demorada (o procedimento pode durar semanas), a técnica é mais cara (custa de dez a quinze vezes mais que o teste rápido) e só é capaz de detectar casos hiperagudos (quando ainda há presença do vírus na circulação sanguínea), limitando o diagnóstico adequado dos pacientes.

O teste rápido permite a detecção de anticorpos contra o vírus da Zika em qualquer fase da doença, o que, além de confirmar o diagnóstico em até 20 minutos, colabora para o mapeamento epidemiológico de ocorrências, facilitando ações de combate.

O dispositivo é composto por dois cassetes portáteis (7×2 cm cada), que utilizam uma pequena amostra de soro do paciente. O primeiro cassete reage ao anticorpo IgM e identifica infecções recentes (até duas semanas), enquanto o segundo, que reage ao IgG, identifica se o paciente foi infectado há mais tempo.

O desenvolvimento do teste foi realizado por meio de uma parceria entre o Governo da Bahia e a empresa sul-coreana Genbody Inc., que firmaram um acordo de transferência de tecnologia para a Bahiafarma. A partir da assinatura, foram dez meses de pesquisas conjuntas, até que a fundação baiana conseguisse cumprir todas as exigências da agência reguladora.

Com a autorização concedida pela Anvisa, a Bahiafarma está apta a atender a demanda do Ministério da Saúde, com previsão inicial de 500 mil testes por mês.

 

Histórico

O desenvolvimento do teste rápido para detecção do Zika vírus vinha sendo buscado pelo governo baiano desde julho de 2015, logo após terem sido detectados casos suspeitos da doença no Estado, principalmente associados à síndrome de Guillain-Barré. Nos últimos 12 meses, foram notificados 105 mil casos suspeitos de infecção por Zika vírus na Bahia. Só este ano, até o dia 5 de maio, foram 36.725 casos registrados.

“O surgimento da Zika no Brasil, cujos sintomas são semelhantes aos de outras infecções, como a dengue e a febre chikungunya, evidenciou uma grande dificuldade para a diferenciação do diagnóstico”, lembra o secretário da Saúde do Estado da Bahia e presidente do Conselho Gestor da Bahiafarma, Fábio Vilas-Boas. “O governador Rui Costa determinou que a Bahiafarma investisse na pesquisa e desenvolvimento de testes diagnósticos para Zika vírus, chikungunya e dengue, de modo a facilitar as ações de prevenção e combate à doença no Estado”.

A partir da demanda governamental, a direção da Bahiafarma passou a prospectar potenciais parceiros internacionais com domínio tecnológico reconhecido para desenvolver o teste em caráter emergencial. E foi na Coréia do Sul que se encontrou a biotecnologia mais avançada nessa área e que era capaz de evoluir mais rapidamente no desenvolvimento do teste sorológico.

O infectologista e subsecretário de Saúde do Estado, Roberto Badaró, que tem liderado pesquisas sobre o Zika vírus na Bahia, explica que a ausência de um teste rápido atrapalhava o acompanhamento e o controle da disseminação da doença. “A falta desse dispositivo multiplicava o problema exponencialmente a cada dia, já que é possível que estejam ocorrendo infecções assintomáticas e que as complicações relacionadas à doença passem a ser maiores que nos anos anteriores”, afirma. “O teste rápido é uma resposta de combate à doença bastante objetiva e efetiva”.

O conhecimento técnico por parte do diretor-presidente da Bahiafarma, o farmacêutico Ronaldo Dias, que antes de assumir a direção da Bahiafarma, em abril de 2015, desenvolvia sólida carreira internacional na área de biotecnologia, contribuiu para a velocidade do processo. “Nossa intenção é estabelecer na Bahia uma cadeia produtiva de testes diagnósticos rápidos, não apenas para Zika, mas para outras viroses e doenças, como a sífilis”, diz Ronaldo Dias.

O executivo ressalta que a produção do teste está integrada à estratégia do governo da Bahia de fazer da indústria farmacêutica e biotecnológica um dos eixos de desenvolvimento produtivo do Estado. “Esse é um importante passo no nosso esforço para ter um complexo industrial da saúde no Nordeste, capaz de atrair empresas para o Estado e ajudar a descentralizar a produção, hoje muito concentrada no Sudeste do País”, afirma.

 

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